Alcarindion


02/05/2011


Novo endereço

Desde 2005 mantenho um pedaço de mim por aqui. O blog já foi Dark Chest of Wonders, o Baú dos Segredos Insecretos e agora é Alcarindion.

 

Chegou a hora de mudar também de endereço: Alcarindion.

 

Aos que já acompanham, vamos nessa.
Aos que não conheciam, bem-vindos!

 

(Esse blog continuará como um verdadeiro baú, como sempre foi e será por muito tempo).

Escrito por Michereff às 16:43
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06/09/2010


Tirando as teias

Não escolhi o melhor dia para desenterrar o blog, mas não tenho escolha: os dias em que me sinto mais depressivo são os que me sinto mais inspirado.

 

Contudo hoje não escreverei muitas linhas. Deixarei isso para um dia melhor.

 

Senti vontade de voltar ao baú por sentir vontade de voltar à alguma coisa que deixei no passado e não sei. A única coisa que sei é que algo me faz falta. Talvez eu tenha percebido isso pela quebra da rotina nesses dias, de ter me cansado das mesmas caras e mesmos lugares.

 

Sinto falta do que está guardado no fundo do baú, onde a calmaria do fundo do mar prevalece às ondas da beira da praia. Onde as teias não prendem as pessoas, prendem os sentimentos.

Escrito por Michereff às 16:46
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18/06/2010


"Nada existe mais precioso que o tempo, pois ele o preço da eternidade".
Louis Bourdaloue   



A nossa vida é composta de pedacinhos que chamamos de épocas. Se olharmos para trás, podemos ver vê-la como uma colcha de retalhos, e poder admirar cada remendo. Hoje é um dia especial para lembrar-se de várias épocas que vivi.

Da época de criança lembro pouco, mas lembro. Brincava na nossa rua com os vizinhos, assistia muita televisão, estudava, comprava coisas escondidas na conta do meu pai na padaria, andava de bicicleta, soltava pipa...


Depois veio a época da separação dos meus pais. Uma época bem confusa, é verdade, mas ainda sim tinha seus lados bons. Nesse meio tempo convivi mais com a minha avó e meu avô, que passou a ser muito mais do que uma madrinha.


Houve e época em que morei em Itajuba, onde fiz novos amigos, inclusive um deles que conservo até hoje. Foi a mesma época da rebeldia e comecei a ter vontades próprias, manifestando minha personalidade.


A época do primeiro emprego veio em seguida, e depois a época de Forquilhinhas, onde fiquei por seis meses e mesmo assim fiz alguns amigos bem fiéis.


Logo chegou a época da casa da avó, onde comecei a ter mais responsabilidades e liberdades.


Não há como esquecer a época do karatê, onde comecei de fato a parar com minhas crises existenciais e ser gente. Lá comecei a perceber o que realmente era o mundo e como ele funcionava. Era a época da perda da inocência, se é que me entendem. Essa foi a época de fazer amigos eternos.
Época de carteira de trabalho, época da formatura, e várias pessoas foram ficando para trás para dar espaço para as novas que surgiriam. A época da UNIVALI durou bastante tempo, mas não tenho muitas recordações que não sejam acadêmicas. Outra época que durou muito foi a época da Brasil Telecom, onde aprendi bastante. E logo percebi que minha época em Barra Velha deveria acabar e decidir partir.


Em Florianópolis, houve a época da quitinete, onde passei um ano só indo ao trabalho e sem muitos amigos e me sentindo muito sozinho. Logo veio a época do iG, onde comecei a perceber no que gostaria de me especializar. Essa época acabou, mas para deixar chegar uma das melhores épocas da minha vida: a época da ouvidoria. Foi nesse espaço de tempo de nove meses que muitas coisas na minha vida aconteceram com muita intensidade. Eu tive muitos amigos, um emprego divertido e os companheiros de casa mais loucos e engraçados até hoje. Isso me lembra da época do Itacorubi, onde tinha programas diferentes ou simples, mas todos os dias, e o tédio perdia lugar para as verdadeiras amizades. Assim que a ouvidoria acabou veio a época do cursinho, juntamente com a época da felicidade. Como tudo deu certo, chegou a época da UFSC, algo que queria muito, e daí em diante minha vida tomou rumos inesperados. Desde a época de calouro até a época de CAAD, mudei de emprego, de casa e de idéias.
 
Olhando para trás vejo que cada época foi feliz, apesar de tudo. Tenho saudade de todas elas, mas sei que nunca voltarão, e nem devem. Se eu mudaria alguma coisa? Nunca! Tudo colaborou para ser quem sou hoje, e hoje gosto muito de quem sou.
 
Todos que conheço estão em alguma dessas épocas, mais de uma, ou em todas. Bom, isso não importa. O importante é saber que cada um contribuiu em alguma parcela na minha vida.


E é por isso que hoje eu agradeço. Muito obrigado!


 

 
E vamos em frente, uma nova época começou! É a época de viver!

Escrito por Michereff às 17:44
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06/06/2010


Adaptação

Depois de dias de correria e tensão, finalmente tudo se ajeitou. Esse é o primeiro post feito na minha casa nova, e que já aprendi a gostar bastante em menos de 24 horas.

 

Não gosto de falar sobre minhas qualidades, mas se fosse parar para destacar uma seria a facilidade na adaptação. Geralmente não costumo me desesperar em situações novas e procuro sempre ser otimista. É por isso, talvez, que já me sinta a vontade na casa em tão pouco tempo. No trabalho também; consegui me organizar e cada gaveta já é bastante familiar.

 

Porém, não confundam: adaptação é diferente de acomodação. Há indivíduos que pensam que adaptar-se é aceitar tudo o que a vida trás, seja como for. Não é isso! Adaptar-se é ter "jogo de cintura" nas voltas que a vida dá, e não "viver corcunda" por causa dela. É ter voz ativa, e não somente ouvido passivo.

 

Adaptar-se é viver.

Acomodar-se é sobreviver.

Escrito por Michereff às 16:09
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04/06/2010


O que é que está acontecendo?

- Michereff, a partir dessa semana você mudará de mesa e de sala.

- Não estou no CAAD. Estamos em processo eleitoral.

- Dai cara, tranquilo? To sem credito pra te responder, mas entao fecho o apê. Se ta tudo certo por vc ta tudo certo por nos tbm.

- Tu não vai cortar mais o cabelo não?

 

Parece a coisa mais estranha do mundo, mas praticamente tudo está mudando para mim em duas semanas. Mudança no emprego, na universidade, em casa e até em mim. Podem ser coincidências, mas não acredito nisso, ainda mais sendo bem próximo ao meu aniversário.

 

Nem vou falar mais que gosto de mudanças, mas quando elas são grandes e vêm juntas, a situação muda completamente. Você sente a alma abraçada pelo medo, pela angústia e pelo frio do desconhecido. Odeio rotinas, mas percebi que não as repudio tanto assim. Às vezes elas são boas, mas todas devem ter seu fim.

 

Enquanto essas mudanças não se completam, é fácil sentir falta do abraço de alguém, ou do conforto da família, o lugar onde você se sentiu mais seguro em toda a sua vida. Segurança: essa talvez seja a inimiga número um das mudanças. Mas será que segurança é sempre necessário? Será que não vale a pena, às vezes, deixa-la de lado e começar tudo de novo?

 

De novo. Novo. Nova vida. Novo começo. Um começo onde se pode ver o trajeto já percorrido, e por isso um começo mais sábio. Essa sabedoria faz com que saibamos que a vida é uma estrada de tropeços.

 

Caia, levante. Recomece.

 

A vida pode lhe trazer para baixo, ou mostrar a elegância que existe em você.

 

Caia por um desejo que é parte de você.

Levante para mostrar o que lhe faz brilhar por dentro.

 

Escrito por Michereff às 12:57
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08/05/2010


Música da semana - Society

"Embora sejam muitas as coisas más deste mundo, a pior dentre todas é a sociedade."

Arthur Schopenhauer

 

 

 

O ser humano, comprovadamente, não nasceu para viver sozinho. Há muitas eras nós nos misturamos e resolvemos os conflitos naturais para preencher aquele vazio que toda alma tem desde que surge. Criamos naturalmente a chamada sociedade. Na sociedade todos têm seu papel definitivo para transformá-la no que é e a fazem caminhar para algum lugar. Mas para onde estamos caminhando?

 

O que vemos hoje é uma sucessão de ações e reações completamente fúteis. Nosso dia-a-dia gira em torno de nós mesmos, sem pensar no que outras pessoas em nosso meio precisam. Aliás, do que realmente precisamos para sobreviver? Ou melhor, do que realmente precisamos para viver?

 

Hoje nós sobrevivemos em meio a uma cultura que nos ensina que viver é consumir. Viver é ter, e não mais ser! Desse modo todos têm tudo e nada ao mesmo tempo. As pessoas já não conseguem preencher seu vazio, pois não estão mais em sociedade, estão sozinhas. Sim, estamos sozinhos em meio as coisas, pois as coisas estão substituindo as pessoas. Usamos coisas para nos comunicarmos, e isso vira um ciclo vicioso. Achamos que podemos nos satisfazer sozinhos e viver bem assim, conseguindo ter tudo o que se sonha. Na realidade nós sonhamos mesmo o que queremos ou a sociedade exige que tenhamos algo para ser melhor?

 

Pessoas já tentaram se afastar. Algumas conseguiram, outras não, mas somente sabe-se que ninguém foi plenamente feliz assim. Os que ficam ou se acomodam e se deixam levar pela maré e tendo sua personalidade moldada pelo todo, ou tentam mudar e ser quem realmente são. Esses últimos sofrem aversão, porque a sociedade cria parâmetros. Você acha isso cruel? Você ajuda nisso! Todos ajudamos e criamos o chamado senso comum, que muitas vezes mais parece um juiz severo e ávido ao julgar tudo e todos.

 

Você se sente livre? Você se sente realizado? Você se sente feliz?
As pessoas não são más, nem a sociedade em si. Mas criamos um monstro.
E o único herói que pode abatê-lo somos nós mesmos, seus criadores.

 

A música dessa semana mantem o clima Na Natureza Selvagem, com a belíssima canção Society. Vejam a letra e pensem nela.

 

Escrito por Michereff às 12:57
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30/04/2010


Música da semana - Rise

Já falei milhares de vezes, inclusive aqui, que adoro mudanças. Sempre que percebo a vida caminhando num ritmo monótono e sem esperança, logo mudo alguma coisa, inesperadamente, para vê-la "revivendo". Essa busca por mudanças constantes nada mais é do que a que todos fazem, em todas as suas vidas.

 

Quem nunca acordou com vontade de mudar alguma coisa? Mudar o estilo de roupa, os livros que lê ou as músicas que escuta, a rotina dos fins de semana, mudar de emprego, de casa, ou até mesmo de cidade. Qualquer tipo de mudança que possa refletir no seu estado de espírito como um todo. Às vezes acertamos, muitas vezes erramos e tentamos voltar atrás, mas nada volta a ser como era.

 

Mesmo assim tentamos, buscando a verdade nas coisas, já sabendo que não há verdades. Tentamos pensar que as pessoas podem mudar, que você pode mudar... Todos podem, todos mudam. No fim das contas você olha pra trás e percebe que já não é o mesmo do ano passado, e isso é bom e ruim. Talvez hoje você tenha alguém ao seu lado que preferisse estar bem longe; tenha uma vida corrida, cansada e queira voltar para os braços de seus pais; tenha sonhos tão inalcançáveis que dá vontade de sentar e desistir. Mudamos. Todos mudam.

 

Alguns momentos você pára e pensa no que está fazendo e qual o rumo sua vida tomou. Pensa nas pessoas que estão longe e te amam de verdade, lembra das que te amam e estão perto, mas as que se aproximam cada vez mais podem não ser as que você precisa. É nessas horas onde devemos ter coragem para mudar. Começar com algo pequeno, como acordar num horário diferente, para pegar uma linha de ônibus diferente e ver outros lugares. Sair num sábado sem rumo, ouvir uma música que você não ouvia há anos, ligar para alguém que não ouve sua voz e queria tanto, nem que fosse por um minuto.

 

O que importa no final de tudo é aproveitar que podemos mudar o presente. O passado ninguém muda mais.

 

A música dessa semana fala sobre isso. Rise, de Eddie Vedder (Pearl Jam), foi composta por ele (como todas as outras do filme) para Na Natureza Selvagem (2007), filme de Sean Penn baseado na história de Christopher McCandless, um jovem promissor que largou seu futuro brilhante para ter uma nova vida, a que sempre quis: ir de encontro à natureza. Esse é um dos meus filmes favoritos e recomendo que todos assistam.

 


 

"A felicidade somente é plena quando partilhada."

Escrito por Michereff às 09:46
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19/04/2010


O Pólo Oeste

Existe uma antiga teoria que diz que, assim como a Terra possui o Pólo Norte e Pólo Sul, nosso corpo tem dois pólos. Um pólo é o Leste, o real, do lado esquerdo, onde fica o coração. Neste pólo guardamos nossas razões e emoções latentes e que a consciência tem discernimento. Já do lado direito há outro pólo, que não temos consciência, e é onde guardamos nossos desejos mais profundos, e as coisas que queremos esquecer para não sofrer, apesar de amar, como um familiar que morreu ou um amor que acabou. Às vezes nos voltamos a ele para lembrar que há outra personalidade, mais frágil ou forte, encasulada dentro de si, nos dando sinais ou tomando as rédeas em situações onde nossa decisão é tão inesperada que nem nós mesmos sabemos porque a tomamos. Este é o Pólo Oeste.

Silje Wergeland (The Gathering) se referiu à essa teoria quando escreveu a letra de The West Pole. Ela disse que se refere a um amor que se foi, mas como não queria esquecê-lo, preferia guardá-lo no Pólo Oeste, onde parte de sua mente o manteria vivo e ao lado do coração.

 


O Pólo Oeste
   
Assim como o sol à tarde
Ele brilha seu caminho através das nuvens cobertas
Douradas folhas caem no outono
E se jogam na brisa empoeirada
Eu me deito no parque vazio,
Com olhos cansados
   
Sua memória some
Como a poeira some nas sombras
A noite continua vindo
Em pingos de chuva secos no vento do verão
   
Assim como o sol à tarde
Ele brilha seu caminho através do céu envelhecido
Chegando no Outono
   
Eu assisto o milagre
Da mudança das estações
Eu vejo as folhas morrerem
   
Sua memória some
Como a poeira some nas sombras
A noite continua vindo
Em pingos de chuva secos no vento do verão
   
Mas eu ainda posso ver você e eu ainda posso ouvir
Você está girando em torno da minha cabeça

Eu ainda posso ouvir você e eu ainda posso ver
   
A maré está baixa
Pensei ter ouvido a nota perfeita
Achei que ouvi você chamar meu nome
   
Sua memória some
Como a poeira some nas sombras
A noite continua vindo
Pingos de chuva secos no vento do verão
   

Escrito por Michereff às 16:09
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13/04/2010


Pica-Pau: Desenho do Demônio?

Estava vendo uns vídeos no Youtube com meu irmão na Páscoa, quando nos deparamos com os seguintes:

 

 

Claro, achamos isso bem estranho, mas fui pesquisar melhor sobre o que seriam essas supostas mensagens subliminares.

 

No primeiro vídeo vemos o duende do Pica-Pau fazendo um gesto tido como "demoníaco" e voltando ao seu "lar original", o inferno. É bom lembrar que esse desenho tem origem norte-americana, onde os duendes e demais aparições são tidos como pequenos demônios. Ou seja, nada demais vermos isso nesse desenho.

 

Já a outra cena, de um episódio até bem conhecido e transmitido no Brasil, mostra algo mais atormentador. Mas mesmo assim não acredito que seja algum tipo de "mensagem subliminar" ou que a cena tenha sido inserida com quaisquer "segundas intenções".

Também sempre quis saber o porquê dessa frase do Pica-Pau. Nunca encontrei uma explicação oficial, mas tenho uma teoria pessoal: acho que a tradução para o português ficou um pouco "pesada" e o episódio se tornou mais polêmico em nosso idioma.

No texto original do episódio, em inglês, o personagem diz "I'm a necessary evil" (http://en.wikipedia.org/wiki/Ration_Bored), termo que normalmente se traduz como "mal necessário".

Então talvez o mais adequado fosse:
- Essa viagem é realmente necessária?
- Claro que é necessária, eu sou um mal necessário!


Convenhamos, o conceito de "diabo/demônio/capeta/satanás/whatever" é o que melhor representa o "mal" em nossa cultura, e o autor quis enfatizar a frase transformando a cara do personagem, o que acontece também em diversas cenas de outros episódios do Pica-Pau. Na versão em português, o tradutor pode ter visto a "cara de diabo", e como "evil" parece com "devil", resolveu traduzir como "diabo necessário", o que soa bastante estranho e parece não fazer sentido em nosso idioma. Bem, essa é apenas a minha opinião, mas a considero bastante plausível.

 

Só postei isso para mostrar que às vezes um pouco de pesquisa ajuda a desvendar baboseiras que ouvimos por aí de pessoas desinformadadas. Portanto, Isaac, pode continuar a assistir o Pica-Pau! Bem humorado

Escrito por Michereff às 12:38
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06/04/2010


Vida Velha em Barra Velha

Eu me considero um cara nostálgico, daqueles que adora viajar ao passado, sempre que possível, para buscar o melhor dele. O saudosismo é característica marcante da minha personalidade e que considero muito importante.

Nesse feriado de Páscoa viajei para Barra Velha, lugar da minha antiga vida. Porém, ainda no dia da viagem, tive antes uma pequena dose da fase mais agradável que vivi. Fui a um barzinho que costumava ir todas as sextas com a Quelen e a Taninha, amigas da época da ouvidoria. Que época boa! Foi rápido, pois tinha que pegar a estrada, mas o suficiente para perceber que aquilo me fazia falta há anos.

Viajei em família, com meu primo Douglas. Ficamos conversando sobre as histórias de desavença dos parentes e chegamos à conclusão de que ela nunca foi totalmente unida, como a grande maioria. Cheguei em Barra Velha, olhei em volta e respirei fundo. Era madrugada, mas mesmo assim olhava os lugares passando e conseguia lembrar de várias coisas que aconteceram pela cidade. Aproveitei bem a estadia: pude ter conversas sobre tudo com a mãe, briguinhas e festas com a irmã, jogar videogame com o irmão, brincar com os cachorros... Sim, em pouco tempo eu sentia que aquela velha vida que levava voltava de mansinho, mas dentro de mim nada ficou no lugar.

Pude tomar aquele café de fim de tarde gostoso e demorado com a , depois de ter falado bastante besteira com a madrasta, balbuciado algumas palavras com meu pai, curtido um pouco a caçula e comprado presunto no Seu Joaquim. Bati papo sobre rodeios e filmes com meu tio, encontrei a tia Graça que há anos não via, dei várias voltas de moto pela cidade...

Claro, tive tempo para os amigos. Na sexta coloquei todo o papo em dia com o velho amigo Adyb, enquanto provávamos se nosso espírito desbravador ainda estava vivo. Na outra noite revi vários amigos como a Ketylin e a Vanessa, meus e revivi cenas comuns de alguns tempos que não voltam mais. E é esse tal de tempos para os amigos um dos meus problemas atuais.

Várias pessoas me fizeram a mesma pergunta, uma pergunta que não esperava e me deixou pensativo.

"Junior, você está feliz?"

Não soube responder nem pra mim mesmo. Sei que já estive mais, na média geral. Pelo que vejo, algumas coisas me incomodam bastante hoje. Muitas vezes paro para pensar se a escolha de vir para Florianópolis foi certa e sensata. Eu ainda acho que sim, mas a simplicidade de Barra Velha e da Vida Velha é algo fascinante e que desperta a saudade de qualquer um que conhece. Assim, é fácil chegar à conclusão que sempre tivemos uma vez na vida a felicidade plena ao nosso lado, e geralmente relutamos contra ela.

Hoje tenho problemas com o tempo. Um passo importante na minha vida aconteceu no início do ano passado, e pensei que ele me traria só felicidades. Doce ilusão. Me esqueci completamente do que acredito, da dualidade das coisas. Não existe nada no mundo que não tenha seus dois lados, e entrar na universidade não pôde ser diferente. Fiz mais amigos, ampliei meus horizontes, amadureci. Mas pelo mesmo viés deixei amigos de lado, fiquei sem tempo pra quase tudo, inclusive pra projetos pessoais. A consequência disso são as frequentes cobranças de todos, como se já não bastassem as minhas próprias. Eu mesmo me cobro por ser tão indiferente com pessoas que me ajudaram tanto e se preocupam comigo, mesmo sabendo que o desapego com as pessoas é uma forma inconsciente de não sofrer o que tanto passei no passado.

Não existem mudanças de um lado que não afetem o outro. Realmente a teoria do caos faz sentido: o bater de asas de uma simples borboleta poderia influenciar o curso natural das coisas e, assim, talvez provocar um tufão do outro lado do mundo. Mas há como reverter algumas situações.

A conclusão em que chego é que algumas coisas precisam mudar, e vão mudar. Comecei a planejar algo ontem e espero por em prática em breve. Só que nada poderá ser exatamente como era antes, felizmente ou infelizmente.


Os olhos são feitos para ver; eles veem o trajeto de nossas vidas.
O coração está lá para sentir; ele sente a energia de nosso tempo.

Posso vê-lo, posso sentí-lo.
Esta é minha hora de acordar! Este é meu lugar!
Eu posso ouví-lo. Sinto o poder em meu coração
E é meu momento!
É logo ali e está me olhando fixamente.

Caia.
Recomece.
A vida pode te trazer abaixo, e a verdade monumental da elegância em você.
    
Caindo por uma parte de quem você é e que te faz brilhar por dentro.


Waking Hour - Anneke van Giersbergen

Escrito por Michereff às 11:21
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